Rui Castilho de Luna - Investigador musical, Barítono, pianista e Compositor
José Colaço, vice-Presidente da Direção da APEL; Ana Cristina Martins, Presidente da APEL e Rui Castilho de Luna
Título do livro de Rui Castilho de Luna, que deu origem à Conferência Raínha Dona Amélia e a Música
Alguns dos slides que documentaram a Conferência Raínha Dona Amélia e a Música
Casamento da Rainha Dona Amélia
Casamento da Rainha Dona Amélia
Aguarela de Alfredo Keil que inspirou a capa de um livro de Alexandre Rey-Colaço e oferecida à rainha D. Amélia
A Rainha Dona Amélia recebeu de presentes de casamento dois pianos de cauda
Luís Barata
Isabel Nogueira e Rui de Luna
Isabel Nogueira
Marcaram presença alguns dos sócios da APEL
Isabel Nogueira
José Colaço, Rui Castilho de Luna e Ana Cristina Martins
À entrada da da Academia Portuguesa de Ex-Libris
SALA DA IGREJA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO
Mostra “ A ARTE DO EX-LIBRIS entre REALEZAS e a MÚSICA CELESTIAL”
Que antecedeu a Conferência “A SUA MAGESTADE, A RAÍNHA D. AMÉLIA DE PORTUGAL” UM RARO ACERVO MUSICAL” por RUI CASTILHO DE LUNA
Segismundo Pinto, Presidente da Assembleia Geral da APEL, Ana Cristina Martins e José Colaço
Ana Cristina Martins, discurso de abertura da sessão mensal dedicada à Música e a Apresentação de uma Mostra ex-libristica prelúdio do tema da Conferência que se seguiu, na qual existe uma ligação entre a musica e a Rainha Dona Amélia
Discurso de Apresentação da mostra "A ARTE DO EX-LIBRIS entre REALEZAS e a MUSICA CELESTIAL"
António Mattos e Silva junto a uma das suas obras, as Armas Reais dos Duques de Coimbra
Exposição “A ARTE DO EX-LIBRIS entre as REALEZAS e a MÚSICA CELESTIAL” organizada por Vitor Escudero, da Academia Nacional de Belas Artes
Apresentada e contextualizada por Segismundo Pinto
Paulo Estrela observa através da lupa gigante um dos ex-libris musicais
Vitrine de Ex-Libris ligados à música
Vitrine de Ex-Libris ligados às Realezas
Telma Afonso, Ana Varelas, Ana Aurora Colaço, Ana Cristina Martins, Milão Neves da Silva, Ana Paula Neves da Silva, Madalena Jordão
Isabel Nogueira
Conferência
RAINHA DONA AMÉLIA E A MÚSICA
Por RUI CASTILHO DE LUNA
Na ACADEMIA PORTUGUESA DE EX-LIBRIS em Lisboa
RUI CASTILHO DE LUNA foi o brilhante orador, da Conferência RAINHA DONA AMÉLIA E A MÚSICA, que decorreu no sábado 24 de Janeiro de 2026, pelas 16h00, na ACADEMIA PORTUGUESA DE EX-LIBRIS em Lisboa.
Foi uma tarde dedicada à musica e à Rainha Dona Amélia (1865-1951), que teve inicio pelas 15h00, numa sala da Igreja do Santíssimo Sacramento, ao Chiado, adjacente à APEL, com a mostra “A ARTE DO EX-LIBRIS entre realezas e a MÚSICA CELESTIAL”, organizada por Vitor Escudeiro, da Academia Nacional de Belas Artes, apresentada e contextualizada por Segismundo Pinto.
A conferência, baseada num trabalho de investigação musical e que resultou no livro de Rui Castilho de Luna, “A SUA MAGESTADE A RAINHA D. AMÉLIA DE PORTUGAL - UM RARO ACERVO MUSICAL”, foi complementada com a projeção de slides, que documentaram toda a sua oratória.
Ao INParties, Rui Castilho de Luna declarou: Esta ideia surgiu de um convite, da anterior Diretora do Paço Ducal de Vila Viçosa, Drª Maria de Jesus Monge, que é a atual Diretora do Museu Nacional de Arte Antiga, para eu fazer a investigação sobre o acervo musical, que existia sobre a Rainha Dona Amélia. Eu comecei a investigar, sendo que à partida existia muito pouca matéria, só que Vila Viçosa tem esta qualidade extraordinária em termos de arquivos, ter uma informação, uma documentação fabulosa, e aí começou toda esta aventura dos documentos, que iam aparecendo e que iam reforçando todas as perguntas, que naturalmente eu ia fazendo, sobre a questão musical, em torno da Rainha Dona Amélia. Já havia matéria suficiente para se publicar, eu nunca tinha publicado nada na vida, e foi a primeira publicação que se fez sobre este acervo. Que trouxemos à luz todo este património musical, que cercava a Rainha D. Amélia, que era o seu entorno, digamos. Uma coisa interessante é que este acervo musical, fazia parte do seu espólio privado e estava no seu quarto, na sala de musica privada da Rainha que foi encaixotada em 1910 e portanto, só eu é que tive a sorte de poder mexer, numa quantidade de documentação, desde calendários, livros de temperaturas, as agendas privadas, cadernos, correspondência e tive este privilegio de ter poder ter acesso a esta documentação privilegiadíssima. O livro saiu há dez anos, fez um périplo muito interessante porque foi apresentado na Universidade de Coimbra, na Biblioteca Joanina, e depois foi ao Museu Soares dos Reis, em Vila Viçosa, ao Palácio das Necessidades e é o primeiro livro da coleção de livros de muitas cosas que esgota. A primeira edição esgotou, já vamos na segunda e portanto é muito bom para quem faz a investigação, ter bom eco do outro lado. A Raínha dona Amelia, para além de tocar piano e compor musica, era uma grande melómana. Era apaixonada por musica e todos os dias tocavam, havia música. Todos os dias havia saraus, para além disso ela ia a concertos, à opera, portanto a musica fazia parte do seu dia a dia. E foi a música que fez com que ela aguentasse toda a vida dificílima que teve. Ela estava constantemente, com batalhas atras de batalhas, em termos políticos, em termos familiares, em termos sociais. Toda a obra que ela fez em termos sociais que é importantíssima. Que eu acho o que fica das pessoas é a obra que conseguem realizar. Não é o que dizem, é o que faz. E o legado da Rainha Dona Amélia, que a maior parte das pessoas desconhecem. Ainda há uma série de instituições que se mantêm, como os Socorros a Náufragos, alguns Sanatórios, a Associação do Tuberculosos, tudo isso ainda funciona. Mas é tudo legado da Rainha Dona Amélia, de uma obra imensa, Museu dos Coche, Museu de São Roque, os restauros, dos monumentos, dos Jerónimos, da Sé Velha de Coimbra. Por exemplo, o inicio das escavações de Conimbriga, quando alerta a Universidade que era muito importante, que há ali um campo arqueológico, e pedem o patrocínio e ela concede imediatamente. A proteção aos pintores, aos músicos, as bolsas de estudo, é um trabalho fantástico, e que tem que vir a lume. Agora imagine isto tudo ano mundo de homens muito difíceis, digamos quase reacionários, para o tempo, que eram muito conformados , ou seja, cristalizados. E ter uma mulher com uma visão extraordinária da vida de sociedade, da evolução da própria população e também a nível científico e cultural, com uma visão muito moderna, , portanto é muito difícil abrir novos caminhos em Portugal em 1880, 90. Se hoje, é o que é, ainda para mais uma mulher impor-se desta forma, junto da comunidade científica, musical, literária, política, ela tinha constantemente uma hoste de homens contra ela. Isto tudo è feito a pulso e por amor a Portugal, num país que ela abraçou, e que depois a expulsou, matando-lhe o marido, matando-lhe o filho, em quem ela tinha depositado toda uma educação rigorosíssima. Porque ela dizia sempre, não pode haver bons governantes, se não houver uma educação de excelência e portanto para ser um bom Rei, tem que ter uma educação rigorosíssima. Escolheu os melhores professores a nível internacional e nacional, para que os seus filhos tivessem a melhor preparação possível. E com uma visão modernista, e democrática, humanista no fundo. Eu acho que a Rainha Dona Amélia era uma grande humanista. Uma mulher naquela época, quando ainda não tínhamos as sufragistas, em que a mulher nem sequer tinha direito de voto, nem de coisa nenhuma, era um objecto decorativo, praticamente, em termos sociais, ter uma Rainha que consegue fazer a obra que ela fez e cuidar dos mais desfavorecidos que não ficam na história, Uma mulher, que se atirou ao mar. para salvar um pescador, não sei quem é que fará isso? Poucos.
A conferência teve uma duração de 90 minutos e o evento terminou com um 'Porto de Honra'.





































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